Nidum
Rio de Janeiro: Centro, zona portuária e Pequena África
Nidum

C14 / Brasil · Portuário · Moradia · Bairro

Rio de Janeiro

Habitar o centro é encontrar uma história que continua acontecendo.

Foto: Mwaldeck · CC BY-SA 3.0

C14 / BRASIL

Rio de Janeiro O centro já tem uma vida

Museu de Arte do Rio e Escola do Olhar, unidos pela cobertura. Fotografia de outubro de 2013.

Museu de Arte do Rio e Escola do Olhar, unidos pela cobertura. Fotografia de outubro de 2013.

Foto: Mwaldeck · CC BY-SA 3.0 · Créditos no final do livro

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 212

A HISTÓRIA / RIO DE JANEIRO

O centro já tem uma vida

O centro do Rio não estava sem história quando começaram suas intervenções recentes. Artistas, moradores, instituições e redes de memória já participavam do território. O retrofit encontra essa vida anterior e precisa decidir como se relacionar com ela.

O MAR aproxima museu e educação em construções adaptadas. Bhering e Armazém Utopia mostram a força da ocupação cultural. O Reviver Centro acrescenta uma agenda habitacional, com empreendimentos em diferentes estágios. A Pequena África exige que memória e direito de permanecer atravessem todas essas leituras.

O caso carioca pede uma combinação de presenças. Morar, produzir, aprender, cuidar e circular precisam encontrar condições de convivência. A transformação pode ampliar essa diversidade quando reconhece quem sustenta o lugar, em vez de começar sua narrativa apenas no momento da obra.

“ O que a reocupação torna possível para as pessoas e as

memórias que já habitam o território?

Síntese narrativa da pesquisa documental. Fontes e distinções de intervenção no estudo que se segue.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 213

ANTES DE ENTRAR / RIO DE JANEIRO

Um lugar, muitas relações

22.91° S / 43.17° O

LOCALIZAÇÃO APROXIMADA · NATURAL EARTH

Centro, zona portuária e Pequena África

Habitar o centro é encontrar uma história que continua

acontecendo.

O Rio de Janeiro reúne conversões residenciais, equipamentos culturais e ocupações artísticas no Centro e na zona portuária. A memória da Pequena África atravessa essa leitura. O programa novo precisa encontrar o que já existe em termos de Vida, direitos, trabalho e pertencimento.

Caso externo de estudo. Leitura documental orientada pela Linguagem Nidum; a autoria dos projetos e a origem das evidências permanecem identificadas nas fontes.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 214

CAMPOS EM RELAÇÃO / RIO DE JANEIRO

Reconhecer quem habita, o Lugar e os encontros

CAMPO / RELAÇÃO A INVESTIGAR

1

Pertencimento

Novas moradias e usos culturais alteram condições de presença. Quem pode

morar, trabalhar, reconhecer-se e continuar no Lugar?

2

Lugar

A história portuária, a Pequena África e as memórias dos edifícios exigem

leitura situada. O que a intervenção reconhece e o que pode apagar?

3

Relação

Moradia, trabalho artístico, cultura e serviços têm ritmos próprios. Como se aproximam e preservam autonomia?

Leitura editorial Nidum a partir da documentação do caderno. Os Campos ajudam a formular relações e tensões; não classificam o projeto nem atribuem intenção institucional aos seus autores.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 215

CAMPOS EM RELAÇÃO / RIO DE JANEIRO

Discernir as fronteiras e o que se devolve

CAMPO / RELAÇÃO A INVESTIGAR

4

Porosidade

A relação entre equipamento, rua e cidade depende de acessos, programação e regras. Quem consegue atravessar essas fronteiras?

5

Reciprocidade

O investimento recebe valor de infraestrutura e memória. Que cuidado,

oportunidades e condições de habitar devolve ao centro?

Tensão a manter viva

Licenciar, entregar e habitar são acontecimentos diferentes. A narrativa de transformação precisa acompanhar o uso efetivo e a continuidade de quem sustenta a Vida do território.

Gramática de leitura: N01, pp. 15-17 e 20-21. Evidências e referências específicas nas páginas seguintes.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 216

II / RIO DE JANEIRO / SÍNTESE E RECORTE · BRASIL / ESTUDO 09 DE 12

Reocupar o Centro em diferentes escalas

O Rio permite estudar, lado a lado, conversão residencial,

equipamento cultural e ocupação criativa de origem

gradual.

O recorte reúne o Reviver Centro e um edifício convertido em moradia; o Museu de Arte do Rio na Praça Mauá; a Fábrica Bhering em Santo Cristo; e o Armazém da Utopia no cais portuário. O interesse está na relação entre patrimônio, ocupantes e vida cotidiana, dentro de uma transformação urbana mais ampla. [01, 04-12]

CAMADA / DISTINÇÃO IMPORTANTE

Retrofit de edifício

Aproveitamento e atualização de uma construção existente; pode

envolver mudança de uso.

Reuso cultural

Instalação de produção, ensino ou programação; requer operação

continuada, além da obra.

Operação urbana

Transporte, infraestrutura, espaços públicos, imóveis novos e

antigos; não é toda ela retrofit.

Reconversão residencial

Criação de unidades de moradia; o efeito no bairro depende de

ocupação e serviços efetivos.

Tese de trabalho: o resultado territorial fica mais consistente quando há combinação entre moradia, atividade econômica e usos culturais, com condições para manter a população e os produtores já presentes. Uma grande obra isolada não informa se essa combinação aconteceu.

Roteiro: cronologia e territórios; casos; governança, evidências e conflitos; comparação e pesquisa de campo; referências.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 217

II / RIO DE JANEIRO / CRONOLOGIA · BRASIL / ESTUDO 09 DE 12

Uma trajetória com várias

políticas

Marco

Mudança documentada

Como interpretar

2010

Companhia Ensaio Aberto chega ao

Armazém 6. [12]

A ocupação cultural antecede a

reforma e ampliação mais recentes.

2013

Inauguração do Museu de Arte do

Rio. [06-07]

Adaptação de construções

existentes para museu e educação.

2017

Cais do Valongo é reconhecido como

Patrimônio Mundial. [16]

A memória e a governança da

Pequena África tornam-se parte

inseparável do debate urbano.

2021

Criação do Reviver Centro. [01, 03]

Incentivo à moradia, com

aproveitamento de imóveis e

construção em terrenos

disponíveis.

2025

Entrega do Dias Downtown

registrada na imprensa; Reviver

Cultural passa à Cultura. [04-05, 13]

Conversão residencial e política de

ocupação dos térreos avançam em

paralelo.

2026

Novas licenças residenciais e início

da recuperação de imóveis do

Pró-APAC. [03]

Carteira em estágios diferentes;

entrega de chaves para obras não é

imóvel restaurado.

A cronologia mostra que a presença de artistas, moradores e instituições não surgiu toda de uma mesma política. A interpretação precisa reconhecer iniciativas anteriores, investimentos públicos, processos de mercado e conflitos de ocupação.

O caderno não usa a agenda de megaeventos como explicação única. Ela é parte do contexto estudado pelas pesquisas sobre moradia e remoções na região portuária. [17-18]

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 218

II / RIO DE JANEIRO / TERRITÓRIOS · BRASIL / ESTUDO 09 DE 12

Centro e porto: recortes que se

conectam

Recorte

Projeto ou política

Mecanismo de transformação

Centro / Gonçalves

Dias

Reviver Centro e Dias Downtown.

[01, 04-05]

Antigo uso corporativo convertido

em unidades residenciais.

Praça Mauá

Museu de Arte do Rio. [06-07]

Patrimônio adaptado para arte e

educação.

Santo Cristo

Fábrica Bhering. [08-09]

Ocupação gradual por ateliês,

produção e atividades criativas.

Cais da Gamboa

Armazém da Utopia. [10-12]

Armazém portuário restaurado e

ampliado para produção cultural.

Pequena África

Valongo e redes de memória.

[16-18]

Preservação de história, práticas

culturais e condições de

permanência.

Praça Mauá, Pequena África, Centro e a área do Porto Maravilha não são perímetros equivalentes. Alguns se sobrepõem e outros descrevem relações históricas ou políticas. Os dados do Reviver Centro também não representam automaticamente toda a região portuária. A operação Porto Maravilha engloba infraestrutura, mobilidade e desenvolvimento imobiliário. Ela cria condições que podem favorecer novos usos, mas inclui grandes obras e edificações novas. A avaliação do retrofit deve identificar sua parcela dentro desse conjunto. [14-15]

Escolha de foco

Estudar uma rede de ruas e edifícios: onde se mora, onde se trabalha, onde se produz cultura e como as pessoas circulam entre esses pontos. Essa abordagem aproxima a análise da vida do bairro.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 219

II / RIO DE JANEIRO / CASO 1 / MUDANÇA DE USO · BRASIL / ESTUDO 09 DE 12

Reviver Centro: tornar possível morar

Converter edifícios comerciais é uma oportunidade de usar

infraestrutura existente e diversificar horários de presença.

O Reviver Centro, lançado em 2021, procura atrair moradores e novos usos para a área central. O programa abrange conversões de construções existentes e empreendimentos novos, com diferentes instrumentos e frentes de ação. Por isso, seu total de unidades não deve ser apresentado integralmente como retrofit. [01, 03]

O que a moradia pode acrescentar

Na leitura analítica deste caderno, moradores permanentes podem sustentar demanda por alimentação, saúde, educação, lavanderias e outros serviços além do horário de escritório. O potencial depende de renda, composição familiar, custo de habitar e qualidade das ruas. Um apartamento compacto pode atender a um residente, a alguém que permanece parte da semana ou a uma operação de curta duração. A planta e a venda não resolvem essa distinção. O efeito urbano exige medir o uso realizado e a intensidade de ocupação.

ETAPA / O QUE É NECESSÁRIO PARA AVANÇAR

Licença

Projeto autorizado e enquadrado; ainda pode depender de

financiamento e obra.

Obra concluída

Adequações executadas e documentação aplicável; verificar

condições de entrada em uso.

Moradia ocupada

Presença de usuários; identificar permanência e tipo de contrato.

Vida de bairro

Serviços, convivência e acesso; requer acompanhamento territorial.

A sequência é um modelo de avaliação. Não substitui os procedimentos específicos de licenciamento de cada empreendimento.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 220

II / RIO DE JANEIRO / CASO 1 / DIAS DOWNTOWN · BRASIL / ESTUDO 09 DE 12

Gonçalves Dias: um edifício e muitas perguntas

O Dias Downtown Studios, na Rua Gonçalves Dias, 46, converteu um prédio de escritórios em 97 estúdios. A reportagem de junho de 2025 descreve a passagem de 28 salas comerciais para unidades entre 28 e 43 m²; uma publicação de outubro de 2026 registra a entrega ocorrida em 2025. [04-05]

O antes e depois que importa medir

ANTES E TRANSFORMAÇÃO / RESULTADO A VERIFICAR NO USO

Quantas unidades funcionam como residência principal e qual a

permanência dos moradores?

Edifício com salas

comerciais; adaptação para

moradia.

Como se comportam circulação, instalações, manutenção e custo

condominial?

Mais unidades

independentes no mesmo

imóvel.

Localização próxima ao

comércio do Centro.

Quais serviços passam a funcionar fora do horário comercial e quem

os utiliza?

Nova oferta residencial

compacta.

Que perfis de renda e composição familiar conseguem acessar essa

oferta?

O caso é útil por permitir acompanhar uma conversão em escala de edifício, em meio a ruas e atividades preexistentes. O estudo deve registrar também a relação com estabelecimentos antigos, moradores e usos dos andares superiores dos imóveis vizinhos.

Leitura analítica: a entrega comprova uma possibilidade de adaptação. Para demonstrar transformação do bairro, é preciso seguir ocupação, serviços e espaço público depois da mudança. Novas unidades e novos moradores não são a mesma medida.

Não foram auditados os documentos de conclusão nem obtidos dados de ocupação do condomínio. A informação de entrega está atribuída às fontes jornalísticas e setoriais indicadas.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 221

II / RIO DE JANEIRO / CASO 2 / MUSEU DE ARTE DO RIO · BRASIL / ESTUDO 09 DE 12

Praça Mauá: museu e escola no patrimônio

O MAR combina edifícios existentes com um programa que

articula exposição e educação.

Inaugurado em março de 2013, o Museu de Arte do Rio reúne o Palacete Dom João VI e o edifício vizinho de linguagem moderna, ligados por uma cobertura e uma passagem. As salas expositivas e a Escola do Olhar estabelecem funções complementares. [06]

O estudo apresentado ao Docomomo detalha a reutilização das construções e discute criticamente a relação entre projeto, patrimônio e apropriação urbana. Essa leitura ajuda a superar uma avaliação baseada apenas na imagem do conjunto. [07]

DIMENSÃO / PERGUNTA TERRITORIAL

Educação

Como o museu se relaciona com professores, estudantes e escolas do

entorno?

Acesso

Quem frequenta, quem retorna e quais obstáculos limitam a

participação?

Rua e praça

A entrada, os percursos e os horários favorecem uso cotidiano e

permanência?

Economia cultural

Como programação e trabalho se conectam a artistas e fornecedores

locais?

Leitura analítica: o museu pode criar motivos recorrentes de visita e ampliar a presença cultural, mas sua contribuição para a vida do bairro depende dessas relações. A circulação turística deve ser lida junto à participação dos moradores.

Lição de aplicação

Quando um patrimônio recebe um equipamento cultural, prever desde o projeto uma função educativa, equipe, orçamento de operação e vínculos com o território. A recuperação física precisa ter um programa de uso duradouro.

O caderno seleciona o MAR por seu reuso de construções existentes. Não classifica todos os equipamentos e obras da frente portuária como retrofit.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 222

II / RIO DE JANEIRO / CASO 3 / FÁBRICA BHERING · BRASIL / ESTUDO 09 DE 12

Santo Cristo: produção antes da vitrine

A Riotur descreve a ocupação da antiga Fábrica Bhering como um processo gradual, difundido pelos próprios artistas que buscavam espaços menos caros. O conjunto passou a abrigar ateliês e atividades criativas, com uso público em eventos e visitas. A localização é Rua Orestes, 28, em Santo Cristo. [08-09]

O que o caso acrescenta

A demanda apareceu por meio dos ocupantes. Isso difere de um empreendimento em que todos os usos são definidos antes da obra. Ateliês e oficinas podem apropriar-se de grandes espaços e construir redes de colaboração, mas dependem de condições técnicas e contratuais que sustentem essa presença.

POTENCIAL DO MODELO / PONTO A VERIFICAR

Ocupação gradual permite

aprender com o uso.

Quais adaptações foram regularizadas e quais necessidades

permanecem?

Como se compartilham despesas, equipamentos e decisões?

Convivência entre diferentes

produtores.

A visitação apoia o trabalho ou passa a competir com sua rotina?

Eventos aproximam público

e produção.

A valorização aumenta o risco de saída dos produtores?

Patrimônio industrial dá

identidade ao lugar.

Leitura analítica: o valor de referência está na continuidade da produção, e não apenas na conversão do edifício em destino de visita. Para acompanhar o resultado, interessa saber quem trabalha ali há anos, quem saiu e por quais motivos.

A página turística menciona cerca de 80 ateliês, mas não apresenta uma data de censo. Esse número não é utilizado aqui como medição atual de ocupação, empregos ou impacto econômico.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 223

LER A MANIFESTAÇÃO / RIO DE JANEIRO

O visível e o que precisa ser investigado

O visível e o que precisa ser investigado

Foto: Mwaldeck · CC BY-SA 3.0 · Créditos no final do livro

O Rio amplia a leitura de memória como presença e direito. Transformar uma estrutura exige perguntar quais histórias continuam tendo voz e quais relações a nova Forma ajuda a sustentar.

A imagem não responde sozinha

Licenciar, entregar e habitar são acontecimentos diferentes. A narrativa de transformação precisa acompanhar o uso efetivo e a continuidade de quem sustenta a Vida do território.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 224

II / RIO DE JANEIRO / CASO 4 / ARMAZÉM DA UTOPIA · BRASIL / ESTUDO 09 DE 12

Cais da Gamboa: o ocupante constrói o programa

Uma companhia permanente pode dar direção e continuidade

ao reuso de uma grande estrutura.

A Companhia Ensaio Aberto ocupa o Armazém 6 desde 2010. Segundo a instituição, a intervenção restaurou o galpão histórico e ampliou o conjunto com espaços de produção e apresentação, incluindo o Teatro Vianinha e salas de trabalho. O projeto é associado ao arquiteto e cenógrafo J. C. Serroni. [12]

A programação publicada pela companhia registra espetáculos no espaço em 2025 e 2026. A página de transparência apresenta parcerias para atividades artísticas, formação e laboratórios, com seus respectivos estágios. São evidências de operação cultural, distintas da entrega arquitetônica. [10-11]

O mecanismo territorial

Uma organização que ensaia, forma e apresenta necessita do edifício durante períodos diferentes do ano. Na leitura deste estudo, essa continuidade pode gerar mais vínculos do que a locação eventual para eventos. A intensidade e a distribuição desses vínculos precisam ser pesquisadas junto aos trabalhadores e ao entorno.

O QUE OBSERVAR / POR QUE IMPORTA

Distingue rotina cultural de ocupação eventual.

Calendário de produção e

apresentação

Permite avaliar quem acessa conhecimentos e oportunidades.

Formação e participação

comunitária

Mostra a capacidade de manter equipes, espaços e equipamentos.

Fontes e prazos de

financiamento

Relação com a memória

portuária

Ajuda a verificar como patrimônio material e história social são

tratados.

A descrição institucional reúne restauro e ampliação. O conjunto resultante não deve ser apresentado como área integralmente preservada do galpão original.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 225

II / RIO DE JANEIRO / GOVERNANÇA E RECURSOS · BRASIL / ESTUDO 09 DE 12

Obra, operação e política de ocupação

O Porto Maravilha emprega uma operação urbana com infraestrutura, transformação imobiliária e instrumentos de financiamento. A CCPar descreve a relação entre potencial construtivo e recursos territoriais; a CAIXA registra a atuação do fundo imobiliário e uma reestruturação do projeto no fim de 2023. [14-15]

São mecanismos mais amplos do que a reforma de um prédio. A presença de recursos e incentivos deve ser acompanhada por obrigações, capacidade de execução e critérios de distribuição dos benefícios. Uma previsão de valorização não assegura caixa para conservar um equipamento.

O térreo também requer uma política

O Reviver Cultural conecta imóveis ociosos a atividades artísticas e culturais, com apoio à reforma e aos custos de funcionamento. O programa exige continuidade e horários que incluam a noite. Seu desenho trata ocupação e operação como parte da reabilitação. [13] ESCALA / RESPONSABILIDADE QUE DEVE FICAR CLARA

Imóvel

Proprietário, responsável pela intervenção e equipe de conservação.

Atividade

Operador, calendário, custos, equipe e sustentabilidade após o apoio

inicial.

Rua

Iluminação, limpeza, acessos, mobilidade e relação entre

estabelecimentos.

Território

Moradia, serviços públicos, proteção patrimonial e participação dos

residentes.

A página do Reviver Cultural informa 84 projetos aprovados e 36 ativos na consulta. Como não explicita a data-base do painel, o caderno não trata essa relação como uma taxa de sucesso ou de encerramento. [13]

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 226

II / RIO DE JANEIRO / PAINEL DE EVIDÊNCIAS · BRASIL / ESTUDO 09 DE 12

Licença é uma etapa; ocupação é outra

Indicador e recorte

Fonte

Leitura correta

Relatório de fevereiro de 2026,

referência 05/03/2026. [02]

Carteira autorizada do programa,

com projetos em diferentes

estágios.

7.582 unidades

residenciais

licenciadas; 71

licenças

8.903 unidades

residenciais; 81

licenças

Divulgação municipal de agosto de

2026, painel de 06/08. [03]

Ampliação da carteira; não são

8.903 moradias prontas ou

ocupadas.

97 estúdios no Dias

Downtown

Registros de entrega de 2025 e

publicação retrospectiva de 2026.

[04-05]

Resultado de um empreendimento;

não informa número de residentes

permanentes.

11 imóveis na Rua

do Teatro

Chaves entregues para recuperação

no Pró-APAC, agosto de 2026. [03]

Início de uma etapa de intervenção,

e não entrega de 11 restaurações

prontas.

A diferença entre os totais licenciados não pode ser convertida em crescimento da população. Também é preciso separar construção nova, transformação de uso, reforma parcial, aceitação de obras e início efetivo de uso.

Limite do recorte quantitativo

O índice municipal já listava relatório de setembro de 2026, mas seu arquivo não ficou acessível nesta consulta. O painel usa dados primários verificáveis de fevereiro e agosto, sem apresentar agosto como o último dado existente.

O quadro não reproduz números posteriores disponíveis apenas em análises comerciais. A prioridade é manter origem, período e significado verificáveis para cada indicador.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 227

II / RIO DE JANEIRO / CONFLITOS E PARTICIPAÇÃO · BRASIL / ESTUDO 09 DE 12

Pequena África: memória e direito de permanecer

A história do porto inclui os sujeitos que vivem e produzem

cultura no território.

O Iphan registra o Cais do Valongo como patrimônio relacionado à escravidão e à resistência negra. Em oficina de governança realizada em 2025, o órgão destacou a necessidade de proteger a Pequena África contra gentrificação, descaracterização e perda de identidade. A agenda de preservação inclui representação e gestão, além da conservação física. [16] A pesquisa de Sant’Anna e Ximenes analisa conflitos de moradia e remoções de ocupações populares no contexto da operação portuária e dos megaeventos. O Observatório das Metrópoles também discutiu a necessidade de recursos e compromissos concretos para habitação social. São referências históricas que orientam perguntas atuais. [17-18] PROBLEMA A INVESTIGAR / EVIDÊNCIA NECESSÁRIA

Trajetórias, razões de mudança, custos e alternativas oferecidas.

Saída de moradores e

negócios antigos

Memória reduzida à atração

turística

Participação dos grupos ligados à história e controle sobre narrativas

e programação.

Renda, custo total de morar e critérios das modalidades sociais.

Oferta habitacional

inacessível

Participação sem influência

Decisões alteradas pela consulta, compromissos e prestação de

contas.

Leitura analítica: o território não estava socialmente vazio. A ideia de recuperação deve reconhecer atividades, redes e direitos preexistentes, inclusive quando a conservação dos imóveis era precária.

Não se estima uma taxa atual de deslocamento. Os estudos citados têm períodos e recortes próprios, que não podem ser extrapolados diretamente para 2026.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 228

PAUSA PARA VER

Como a nova Vida do centro pode

A imagem abre uma pergunta. O estudo ajuda a reconhecer as relações que ela não mostra.

fazer espaço para a história sem

convertê-la apenas em

representação?

A imagem abre uma pergunta. O estudo ajuda a reconhecer as relações que ela não mostra.

Foto: Mwaldeck · CC BY-SA 3.0 · Créditos no final do livro

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 229

II / RIO DE JANEIRO / CONDIÇÕES TÉCNICAS · BRASIL / ESTUDO 09 DE 12

Converter exige compatibilizar o novo uso

Um escritório convertido em residência, uma fábrica ocupada por ateliês e um galpão transformado em teatro têm demandas diferentes. O valor do patrimônio não elimina a necessidade de diagnóstico, regularização, projeto e manutenção adequados ao programa. TIPO DE ADAPTAÇÃO / QUESTÕES A EXAMINAR

Escritório → moradia

Profundidade das plantas, luz e ventilação, instalações, circulação,

privacidade e custo de condomínio.

Fábrica → produção criativa

Cargas, ruído, ventilação, riscos das atividades, acesso e divisão de

responsabilidades.

Edifício histórico → museu

Conservação do acervo e do prédio, fluxos, acessibilidade,

manutenção e controle ambiental.

Armazém → teatro e

formação

Lotação, evacuação, acústica, instalações cênicas e compatibilidade

entre restauro e ampliação.

Intervenção no território

histórico

Proteção arqueológica, memória, drenagem e relação com os

espaços públicos.

A documentação do MAR e do Armazém da Utopia mostra combinações entre estruturas existentes e novas soluções arquitetônicas. O estudo deve registrar essa composição, evitando confundir conservação integral, adaptação e construção adicional. [07, 12] Recomendação: reunir projeto, diagnóstico e plano de manutenção antes de concluir que um edifício é adequado à conversão. A economia potencial de materiais depende do que realmente pode ser conservado e do desempenho futuro.

Este caderno não realiza inspeção nem certifica segurança, viabilidade técnica ou redução de carbono. Os itens compõem uma agenda de análise posterior.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 230

II / RIO DE JANEIRO / LIÇÕES DE APLICAÇÃO · BRASIL / ESTUDO 09 DE 12

O que o Rio acrescenta à

comparação internacional

Referência carioca

Aprendizado

Condição para transferir

Reviver Centro

A mudança de uso precisa de um

caminho viável de implantação.

Licenciamento, diagnóstico do

estoque e definição do público

residencial.

MAR

Cultura pode reunir patrimônio e

educação.

Programa permanente, acesso e

vínculo com as escolas e o entorno.

Bhering

Ocupantes podem revelar a vocação

de um imóvel.

Condições técnicas, contratos e

capacidade de permanência.

Armazém da Utopia

Uma organização continuada pode

orientar a transformação.

Uso definido, financiamento e

gestão compatíveis com a escala.

Pequena África

Memória e direitos fazem parte da

qualidade urbana.

Participação de moradores e grupos

culturais nas decisões.

Na continuidade do estudo de Lisboa, permanece a questão da substituição de usuários com a valorização. Em relação a Barcelona, o Rio amplia a comparação entre equipamentos culturais, iniciativas de ocupação e políticas para a cidade existente.

Leitura analítica: o caso brasileiro torna especialmente visível a distância entre autorizar uma transformação, concluir a obra e consolidar uma vida de bairro. Cada etapa precisa de responsáveis, financiamento e evidências próprios.

Aplicação em escala menor

Selecionar uma rua com estoque ocioso e usos existentes; combinar moradia, produção e serviço cotidiano; definir contratos e proteção dos ocupantes; e acompanhar a operação antes de expandir.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 231

II / RIO DE JANEIRO / CAMPO E MONITORAMENTO · BRASIL / ESTUDO 09 DE 12

Um roteiro para observar o

Centro além das fachadas

Percurso

Observação

Entrevistas e documentos

Gonçalves Dias e

ruas próximas

Ocupação residencial e serviços fora

do horário comercial.

Moradores, síndicos, lojas e

registros de uso.

Praça Mauá / MAR

Permanência no espaço público e

relação com a educação.

Usuários, escolas, equipe do museu

e relatórios de atividades.

Santo Cristo /

Bhering

Rotina produtiva, contratos e relação

com vizinhos.

Artistas, trabalhadores, antigos

ocupantes e administração.

Cais / Armazém da

Utopia

Ensaios, formação, eventos e

conexões com o entorno.

Companhia, participantes,

prestadores e transparência de

parcerias.

Valongo / Pequena

África

Memória viva, moradia e

participação.

Organizações locais, moradores e

instâncias de governança.

Recomenda-se acompanhar os mesmos endereços antes e depois da intervenção, com visitas em dia útil e fim de semana. Registrar quem ocupa, quem saiu, tipo de contrato, horários, custos e razões de mudança.

Para testar efeitos econômicos, medir a evolução do comércio e dos empregos locais junto a áreas comparáveis. Para a moradia, trabalhar com domicílios efetivamente ocupados e custo total de habitar, preservando a privacidade dos participantes.

Não houve visita de campo nesta etapa. A agenda é uma proposta de aprofundamento, sem indicar funcionamento ou acesso garantido aos espaços.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 232

II / RIO DE JANEIRO / SÍNTESE E LIMITES · BRASIL / ESTUDO 09 DE 12

O potencial está na combinação de presenças

A transformação do Centro ganha qualidade quando reúne

moradores, produtores, instituições e serviços em relações

duradouras.

O Rio oferece quatro referências complementares: política de conversão residencial, equipamento cultural com educação, ocupação criativa gradual e uma organização artística que transforma sua sede. Cada uma responde a um problema diferente e exige uma forma própria de avaliação.

O QUE SE PODE AFIRMAR / O QUE PERMANECE ABERTO

Há novos usos documentados

em edifícios existentes.

O efeito isolado de cada projeto sobre a economia e a população do

bairro.

Há crescimento da carteira

residencial licenciada.

Conversão dessa carteira em ocupação permanente e acesso

habitacional.

Permanência dos produtores e alcance dos benefícios para os

moradores.

Há programação e produção

cultural nos espaços

estudados.

Como as políticas atuais respondem a esses conflitos no longo prazo.

Há conflitos documentados

sobre moradia e memória.

Conclusão analítica: o retrofit é uma ferramenta para reorganizar o uso do patrimônio e aproveitar a cidade existente. Seu valor urbano depende de acesso, permanência, manutenção e integração com a vida das ruas. A quantidade de obras precisa ser acompanhada pela qualidade das relações que elas sustentam.

Limites desta etapa

Pesquisa documental, sem inspeção, entrevistas ou auditoria. Informações de programas e operadores foram confrontadas com estudos críticos e registros jornalísticos. Os indicadores respeitam suas datas; a carteira licenciada não é tratada como entrega. Não foram calculados retorno financeiro, valorização causal ou emissões evitadas.

18 referências nas páginas seguintes, com links para as bases, projetos e contrapontos utilizados.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 233

II / LINGUAGEM / RIO DE JANEIRO

O que a experiência devolve ao repertório

O Rio amplia a leitura de memória como presença e direito. Transformar uma estrutura exige perguntar quais histórias continuam tendo voz e quais relações a nova Forma ajuda a sustentar.

Relação que permite investigar

Campos em leitura

Manifestação

documentada

Pertencimento / Porosidade

Investigar como a estrutura pode

acolher novas rotinas e intimidades.

Conversão de salas

comerciais em

moradia

Lugar / Reciprocidade

Ler a conexão entre patrimônio,

aprendizagem e acesso.

MAR e sua relação

com educação e

cidade

Relação / Pertencimento

Reconhecer o uso como processo de

construção de sentido.

Ocupações

artísticas na

Bhering e no

Armazém da Utopia

Perguntas para uma investigação de retorno

Escutar residentes, trabalhadores, instituições e portadores de memória; observar ocupação permanente, custos, acesso e programação em diferentes horários. Anúncios e licenças devem conservar seus estados documentais.

“ Como a nova Vida do centro pode fazer espaço para a

história sem convertê-la apenas em representação?

Interpretação desta edição. Não foi realizado Reencontro com este caso externo. As perguntas orientam possível aprofundamento, preservando as lacunas da pesquisa.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 234

CADERNO DE LEITURA / RIO DE JANEIRO

O que esta história

faz perceber?

01

Uma relação que merece continuar

O Rio amplia a leitura de memória como presença e direito. Transformar uma

estrutura exige perguntar quais histórias continuam tendo voz e quais relações a nova Forma ajuda a sustentar.

02

Uma tensão que merece permanecer visível

Licenciar, entregar e habitar são acontecimentos diferentes. A narrativa de transformação precisa acompanhar o uso efetivo e a continuidade de quem sustenta a Vida do território.

03

Uma pergunta para o próximo Lugar

Como a nova Vida do centro pode fazer espaço para a história sem convertê-la apenas em representação?

Espaço de reflexão. As relações podem viajar; a Forma precisa nascer de outra escuta.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 235

II / RIO DE JANEIRO / FONTES

Fontes e trilhas de aprofundamento

[01]Carioca Digital - Informações sobre o Reviver Centro Descrição institucional do programa e de suas frentes de ação, atualizada em junho de 2026.Abrir fonte ↗

[02]SMDU - Relatório Reviver Centro, fevereiro de 2026 Dados de licenciamento com referência em 05/03/2026. Total e recorte consultados na indexação pública do documento.Abrir fonte ↗

[03]Prefeitura do Rio - Primeiros imóveis do Pró-APAC 12/08/2026. Chaves para recuperação de imóveis e dados do painel residencial de 06/08/2026.Abrir fonte ↗

[04]Diário do Rio - Dias Downtown Studios 03/06/2025. Conversão de salas comerciais em 97 estúdios e início da entrega de chaves anunciado para junho.Abrir fonte ↗

[05]ADEMI-RJ - Novos usos de prédios antigos Publicação setorial de outubro de 2026. Retrospectiva que registra a entrega do Dias Downtown em 2025.Abrir fonte ↗

[06]Museu de Arte do Rio - O Museu Fonte institucional. Abertura, organização dos edifícios e proposta da Escola do Olhar.Abrir fonte ↗

Origem da evidência

Os números entre colchetes remetem às fontes deste caderno. A leitura editorial distingue fatos, interpretações e propostas; dados de operadores não equivalem a avaliação independente de impacto.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 236

II / RIO DE JANEIRO / FONTES

Fontes e trilhas de aprofundamento

[07]Docomomo Brasil - MAR: dimensão patrimonial e projeto Estudo acadêmico dos edifícios reutilizados e da relação entre arquitetura, patrimônio e apropriação urbana.Abrir fonte ↗

[08]Riotur - Fábrica Bhering Registro municipal do processo de ocupação criativa e dos usos. Indicadores sem data de censo foram tratados com cautela.Abrir fonte ↗

[09]Rio Film Commission - Fábrica Bhering Cadastro de locação audiovisual. Localização e caracterização do patrimônio industrial.Abrir fonte ↗

[10]Companhia Ensaio Aberto - Espetáculos Portfólio da instituição, incluindo atividades no Armazém da Utopia em 2025 e 2026.Abrir fonte ↗

[11]Instituto Ensaio Aberto - Parcerias Página de transparência com projetos, instrumentos, vigências e estágios de execução e prestação de contas.Abrir fonte ↗

[12]Ensaio Aberto - Sobre o Armazém da Utopia Fonte do operador. Ocupação desde 2010, restauro, ampliação e programa cultural do conjunto.Abrir fonte ↗

Origem da evidência

Os números entre colchetes remetem às fontes deste caderno. A leitura editorial distingue fatos, interpretações e propostas; dados de operadores não equivalem a avaliação independente de impacto.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 237

II / RIO DE JANEIRO / FONTES

Fontes e trilhas de aprofundamento

[13]Secretaria Municipal de Cultura - Reviver Cultural Escopo, critérios de ocupação, apoio à reforma e operação. Painel consultado sem data-base explícita.Abrir fonte ↗

[14]CCPar - Operação Urbana Porto Maravilha Descrição dos instrumentos e infraestrutura. Contém informações de diferentes fases; projeções não foram usadas como resultados atuais.Abrir fonte ↗

[15]CAIXA - Fundo Imobiliário Porto Maravilha Março de 2024. Papel do fundo e reestruturação de 2023. Declarações promocionais não foram tratadas como avaliação de impacto.Abrir fonte ↗

[16]Iphan - Gestão do Cais do Valongo Oficina de dezembro de 2025. Governança, memória da Pequena África, preservação e preocupação com gentrificação.Abrir fonte ↗

[17]Sant’Anna e Ximenes - Luta pela moradia na zona portuária Interseções, 2018. Pesquisa sobre ocupações, remoções e permanências no contexto da operação urbana. DOI: 10.12957/irei.2018.39043.Abrir fonte ↗

[18]Observatório das Metrópoles - Plano de HIS no Porto Maravilha 11/06/2015. Análise de Santos Júnior e Werneck sobre participação, compromissos e recursos para habitação social.Abrir fonte ↗

Origem da evidência

Os números entre colchetes remetem às fontes deste caderno. A leitura editorial distingue fatos, interpretações e propostas; dados de operadores não equivalem a avaliação independente de impacto.

Fonte: E-book Retrofit no Mundo, p. 238

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